África aprovou plano para pacificar a Líbia
19 19UTC Julho 19UTC 2011 Deixe um Comentário
Os chefes de Estado da União Africana adoptaram, em Malabo, uma proposta para a solução pacífica da crise prevalecente na Líbia, informou na sexta-feira o presidente sul-africano, Jacob Zuma, durante uma conferência de imprensa no final da cimeira da União Africana.
Zuma, que falava na qualidade de membro do Comité de Alto Nível da União Africana sobre a crise na Líbia, esclareceu que a nova proposta já foi formalmente entregue às duas partes do conflito líbio, designadamente o Governo do Presidente Muammar Khadafi e os rebeldes do Conselho Nacional de Transição.
O novo plano, segundo o presidente sul-africano, baseia-se nos resultados das iniciativas levadas a cabo por aquele Comité Ad Hoc, desde a última cimeira extraordinária da União Africana sobre a Líbia, realizada a 25 de Maio deste ano, na sede da União, em Addis Abeba.
O Comité foi expressamente criado pela União Africana para acompanhar a situação na Líbia e é integrado igualmente pelos presidentes Mohamed Ould Abdel Aziz, da Mauritânia (que o preside), Denis Sassou Nguesso, do Congo, Amadou Toumani Touré, do Mali, e Yoweri Museveni, do Uganda.
Zuma admitiu, no entanto, que o entendimento da União Africana é que a crise da Líbia “não deve ser vista como um problema exclusivo da União Africana ou de África, mas de toda a humanidade”.
No seu discurso de encerramento, o presidente em exercício da União Africana, Teodoro Obiang Nguema Mbasongo, lembrou que milhares de cidadãos líbios estão refugiados em países da África e da Europa, sem que lhes seja prestada a ajuda humanitária necessária. Pediu aos autores do conflito naquele país do Magreb para assumirem as suas responsabilidades, para que sejam salvas milhares de vidas humanas. Nguema reafirmou que União Africana vai continuar a lutar para a dignidade do povo líbio e para que haja uma Líbia unida e reconciliada.
O também Chefe de Estado da Guiné Equatorial propôs uma cooperação Sul/Sul que contribua para o desenvolvimento de África. Nguema explicou a razão do seu optimismo, usando a ironia: “nós (africanos) não temos a ambição das riquezas dos outros”.
Tal como o ex-Presidente brasileiro, Teodoro Obiang Nguema defendeu a reestruturação das Nações Unidas, sugerindo que o continente africano tenha um lugar entre os membros permanentes do Conselho de Segurança.
Nguema falou também do tema da cimeira, que foi “acelerar a capacitação da juventude para o desenvolvimento sustentável”. Garantiu o total apoio da União Africana à juventude, para que sejam substitutos capazes de sucederem aos líderes africanos e darem continuidade à luta no continente.
Disse que a Declaração de Malabo sobre os Jovens Africanos deve ser uma “arma para a cultura da integridade juvenil, do sentimento de patriotismo, do amor à pátria e da defesa dos valores políticos e morais”, que “são alicerces e natureza típica do africano”.
Angola participou na cimeira da União Africana com uma delegação chefiada pelo Vice-Presidente, Fernando da Piedade Dias dos Santos e integrada, entre outros pelo ministro das Relações Exteriores.